Por Larissa Costa – @larissa.tcosta
Há algumas semanas, me permiti uma pausa. Sentei no sofá, deixei o caos do mundo do lado de fora e assisti ao filme O Expresso Polar. Alguns filmes não existem apenas para entreter — eles nos encontram exatamente onde estamos. E, quando isso acontece, vale prestar atenção no que continua ecoando depois que a história termina e a tela escurece.
Talvez você conheça a trama: um menino, à beira de deixar de acreditar na magia do Natal, descobre que o sino do trenó do Papai Noel guarda um segredo. Ele toca forte e cristalino, mas apenas para quem ainda se permite acreditar. Não para quem controla tudo. Não para quem exige provas. Mas para quem mantém o coração aberto. Essa metáfora me atravessou de um jeito diferente neste ano. No consultório, nos bastidores das atividades que realizo — seja na TV, nos palcos, no jornal ou nas conversas do dia a dia — o que mais encontro são adultos exaustos. Pessoas competentes, responsáveis, fortes… mas cansadas de sustentar uma armadura de realidade tão pesada que quase não sobra espaço para sentir.
Em algum ponto da vida, muitos de nós assinamos, sem perceber, um contrato silencioso com a seriedade. Passamos a ouvir e ver apenas o despertador, as notificações, as cobranças, os boletos. A lógica vira regra. O controle vira necessidade. E, pouco a pouco, vamos ficando surdos — e até cegos — para o encanto. O ceticismo nos protege, sim, mas também nos aprisiona.
O Natal nos oferece uma lembrança essencial: a magia não é fuga da realidade. É uma escolha de percepção. É a decisão de não endurecer por completo, mesmo depois das frustrações, das perdas e das decepções que o tempo impõe.
O trem da vida continua passando. Ele não exige perfeição, nem que tudo esteja resolvido. Não pede currículo emocional nem garantias de sucesso. O único bilhete necessário é a disposição de embarcar — a coragem de sentir, mesmo quando o mundo insiste em chamar isso de ingenuidade.
Aqui em casa, tenho dois grandes mestres sobre isso: Ruan e Alana. Quando olho para eles, não vejo apenas a expectativa pelos presentes. Vejo o brilho de quem não precisa de provas para ser feliz. Eles não explicam o Natal — eles vivem o Natal. O sino toca para eles porque o coração ainda não construiu muros. E eles me lembram, todos os dias, que a mente precisa, sim, dar espaço para a alma.
Por isso, meu desejo para você que me lê e me acompanha vai além de votos de “Boas Festas”.
Desejo que você consiga, nem que seja por um instante, silenciar o barulho das exigências, do “ter que ser” e do “ter que ter”. Que respire fundo e procure, aí dentro, aquele som sutil da sua própria fé — fé na vida, fé na sua capacidade de recomeçar, fé de que o amor ainda sustenta o que realmente importa.
Não importa o quanto 2025 tenha sido duro ou o quanto tenha exigido que você fosse forte, racional ou cético. O verdadeiro presente não está embaixo da árvore, mas na presença que você escolhe oferecer ao mundo — e a si mesmo.
Feche os olhos. Escute com calma. O sino ainda toca.
Talvez a pergunta não seja se ele existe, mas se você ainda consegue ouvir.
Um Natal de luz, verdade e renascimento para você e sua família.
Com carinho, Larissa Costa @larissa.tcosta


